A lógica da Guerra
A lógica de fazer guerra não faz sentido
- Quem guerra faz, não sabe estar em paz
D. Quixote, em tudo e nada vê um inimigo
Sobre um burro segue-o Sancho Pança atrás.
Na guerra a única lei é a do gatilho
Manda quem for mais cruel e mais capaz
De abater, ferir, matar - a guerra é isso
Por Dulcineia, quem quer que ela seja, tudo se faz.
A guerra é uma loucura, demência atroz
Onde cada um se arma em herói e algoz
Pela Pátria se batalha, se lhe dá a vida.
Do valor da guerra está cheia a história
Do seu pavor, horror, da sua glória
Só Um pela Paz, veramente, sua vida deu um dia.
Querer falar da actual conjectura do Iraque e achar-lhe lógica é o mesmo que achar lógica em qualquer manicómio. Nada nesse conflito faz sentido. Diriaque até se confirma a tese de que qualquer povo tem o seu inimigo no grupo com quem partilha a maior afinidade. Assim, americanos e árabes como inimigos comungam de características e interesses muito semelhantes, por princípio, o petróleo. Inimigos são espelhos de si mesmo.
Pena é que, através das graves decisões feitas à luz da arrogância e do poder, comprometida e ultrajada ficou a própria democracia, essa Dulcineia americana que, em vez de exemplo, está a demonstrar a pior falta de respeito pela dignidade e direitos humanos dos outros. Aplicada como uma rodilha, cheia de fumaraça para confundir as abelhas nas suas colmeias, em nome da democracia perpetraram-se, perpetram-se crimes que ficarão na história. O grau de incoerência com os valores mais sublimes da nossa civilização é tal, que até os americanos na sua casa estão a dar a mão à palmatória - algo muito incomum.Como portugueses, à luz destes episódios quixotescos, em que já a Espanha,mais radical, se demitiu, vemos Portugal qual Sancho Pança fielmente seguir o seu senhor, alguém que lhe der a ilusão de glória e de proveito. Mais sagaz do que os poucos aproveita-se da loucura do outro para alimentar a sua própria ganância.Como nos levou quase cinquenta anos a acordar de um erro que foi o fascismo, acredito que levará tantos quantos anos para de novo reconhecermos que algo está errado, que nos associámos a uma causa pateticamente pouco democrática e pouco honesta. Moinhos de vento, todos os dias anotamos as mortes de jovens por uma causa idiota, especialmente quando a democracia não é bem o que o povo iraquiano queria - ainda não tinha chegado a esse ponto. Esperemos que as eleições que estão para vir venham corrigir o rumo da democracia, tão ignobilmente representada.
Entretanto o meu proprio filho esta para voltar desse conflicto. Que venha em paz e saudavel, e' o meu desejo de api.
Silvério Gabriel de MeloTerceira, Açores
